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Ensino híbrido em sala de aula

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Ensino híbrido: a nova cara da educação depois da pandemia

Tempo estimado de leitura: 12 minutos (2469 palavras, 14251 caracteres)

Experiências coletivas de grande impacto sempre tiveram o poder de remodelar o mundo, e a história é prova disso. Neste ano de 2020, o mundo partilhou da mesma experiência: a pandemia da Covid-19 e a necessidade de adequação ao isolamento social. Escolas de ensino regular dos quatro cantos do globo precisaram, às pressas, readequar as aulas ao EaD para que a aprendizagem pudesse continuar. Em meses, a necessidade fez a educação dar um salto tecnológico que demoraria décadas. Agora, quando vislumbramos um cenário pós-pandemia, o ensino híbrido é uma imagem certa.

 

O que é ensino híbrido?

 

Também conhecido como blended learning, o ensino híbrido é um sistema de formação no qual uma parte da aprendizagem ocorre de maneira offline e a outra online. A parte online pode ser realizada tanto a distância quanto presencialmente, dentro de laboratórios na própria estrutura da escola.

 

Há muitos modelos que usam o ensino híbrido, alguns deles sustentados (que mantêm componentes da educação tradicional) e outros disruptivos (que rompem totalmente com a educação tradicional). Nos modelos, a autonomia do aluno é valorizada, bem como a aprendizagem colaborativa, e há o entendimento de que nem todos aprendem da mesma forma.

 

Com o regresso às aulas, é provável que o próprio ensino híbrido ganhe um viés a mais, e ocorra não só com os alunos fazendo uma parte da aula offline e a outra online, mas também com as próprias aulas acontecendo online e offline ao mesmo tempo. Ou seja, com aulas presenciais offline ocorrendo para uns, ao mesmo tempo que são gravadas ou transmitidas em direto pela internet para outros que estão em casa. É neste último aspecto que nos focaremos neste artigo.

 

Por que é preciso que as aulas sejam online e offline ao mesmo tempo?

 

Portugal saiu do estado de emergência, completou todas as etapas de desconfinamento e a reabertura das escolas é uma realidade desde o início de setembro. A Covid-19, entretanto, mantém o status de pandemia e o Ministério da Educação considera arriscado que alunos pertencentes ao grupo de risco (portadores de doenças crónicas) ou que moram com pessoas do grupo de risco frequentem a escola. Para esses, é provável que o quadro demore ainda um tempo considerável a normalizar.

 

Até lá, as instituições precisam encontrar formas para garantir que esses alunos – que podem representar uma parte considerável da turma – não fiquem sem aulas. A alternativa que melhor atende a essa necessidade é o uso do ensino híbrido em sala de aula – com uma parte da turma na escola e a outra em casa.

 

A tendência é que até os alunos que por ventura possam comparecer à escola tenham uma parte das aulas em formato híbrido, aproveitando a aprendizagem que a educação, de uma forma geral, está a adquirir com a experiência atual. Assim sendo, identificam-se duas situações prováveis para este ano letivo de incertezas:

 

  • Aulas presenciais para uns e online para outros;
  • Parte das aulas (ou dos estudos) em formato online para toda a turma.

 

A sua escola está preparada para isso?

 


 

Fatores que irão facilitar a adequação ao ensino híbrido em sala de aula

 

A experiência das escolas com o EaD traz aprendizagens que já se mostram muito favoráveis à implantação do ensino híbrido neste contexto de regresso às aulas. Observe-se alguns:

 

Preparação dos professores

 

De uma forma geral, os professores sairão da quarentena bem mais preparados digitalmente do que estavam antes dela. Os que já usavam tecnologia passaram a usá-la com mais frequência e otimizaram os conhecimentos. Os avessos ao digital atravessaram um caminho mais longo e tiveram que aprender a lidar com recursos tecnológicos aos quais não estavam acostumados. Em ambos os contextos, o conhecimento digital dos docentes progrediu e a tecnologia tornou-se um elemento do dia a dia para todos. 

 

Esse momento serviu inclusive para ultrapassar o medo da tecnologia, que não é, de todo, incomum entre os professores. Ao se depararem com uma situação em que a aula só era possível por gravações ou transmissões em direto, aprender a usar tecnologia deixou de ser uma opção e passou a única saída. Para muitos desses educadores, o pior já passou. As dificuldades iniciais de aprender lidar com recursos digitais – que pareciam gigantes e intransponíveis – agora gradualmente já estão a ser superadas, se é que já não foram, e, dia após dia, eles aprendem mais.

 

Num futuro bem próximo, quando o ensino híbrido nas escolas passar de novidade a uma realidade concreta e habitual, o desafio que os professores terão pela frente não será maior do que o de agora. Eles não serão “apanhados de surpresa” como foram, pois o futuro é agora bastante mais previsível. O momento a seguir será um passo a mais numa caminhada que já está a ser trilhada agora. Quanto mais aprendizado for tirado deste cenário, mais tranquilo será o próximo.

 

Quebra de paradigma para as escolas

 

A dificuldade em abrir-se para o digital não era algo comum somente entre os professores, mas também entre as escolas como um todo. Algumas instituições de ensino mais tradicionais não achavam válido trocar o papel pelo eletrónico em seus processos administrativos e, muito menos, nos pedagógicos. No entanto, mesmo elas renderam-se, e de que maneira, aos recursos digitais durante a pandemia.

 

Sem a tecnologia, essas escolas não conseguiriam dar continuidade às aulas, enviar materiais de estudo aos alunos, aplicar provas, manter uma comunicação com os pais e estudantes ou evitar o cancelamento de matrículas. Pela necessidade de continuar em funcionamento, essas instituições precisaram quebrar seus próprios paradigmas.

 

Como dizia o génio Albert Einstein, “Uma mente que se abre a novas ideias jamais voltará ao seu tamanho original”. Agora que a barreira do digital foi quebrada por muitas escolas, dificilmente elas retornarão a uma rotina que não contemple a tecnologia. Dessa forma, numa porta outrora fechada, abriu-se agora uma brecha para o ensino híbrido em sala de aula.

 

Adequação das famílias

 

As famílias dos alunos também tiveram que adaptar-se a uma nova realidade: a sala de aula dentro de casa. Se antes era comum que alguns pais soubessem pouco sobre a vida escolar dos filhos, agora ela está a acontecer à frente deles. E diferentemente de um vídeo qualquer que a criança assiste em um canto da casa em meio ao ruído – a aula online requer concentração – e, por consequência, um ambiente de estudos propício. Ou seja, as rotinas de todos na casa acabam por sofrer um impacto.

 

Depois dos meses de aprendizagem e adaptação do último ano letivo, muitas famílias já conseguiam combinar um cronograma de ambientes/horários com os filhos, algo que poderá ser mantido com a inserção do ensino híbrido em sala de aula. As famílias também tiveram que se habituar a um contato com a escola sem encontros físicos ou recados na caderneta, então, também tiveram que se abrir à tecnologia.

 

O próprio contexto digital evoluiu na casa de muitos alunos. Quem teve possibilidade aumentou a velocidade da internet ou adquiriu aparelhos com maior capacidade de processamento. Outros, com uma realidade económica diferente, conseguiram telemóveis usados ou até de campanhas que foram criadas. Em geral, a presença de tecnologia na casa das pessoas também progrediu.

 

Como montar um plano para o ensino híbrido

 

As aulas já regressaram. Portanto, é necessário viabilizar o ensino híbrido o quanto antes. Como falamos no início deste post, é possível que muitos alunos – por serem do grupo de risco ou dividirem a casa com alguém nesta condição – não consigam retornar às aulas presenciais, e tenham que continuar no digital por um período longo, até que seja mais seguro regressar. Assim, a inclusão deles nesse novo momento precisa ser imediata.

 

No meio de todo esse contexto, as escolas que já descobriram recursos digitais para as necessidades pedagógicas – aulas, envio de materiais, aplicação de exercícios e provas, comunicação com os alunos e pais – a adaptação será relativamente pequena. Por outro lado, para aquelas que fizeram apenas uma parte dessas atividades por meio digital, mas deixaram as outras em modo de espera, o trabalho será maior. Veja-se, então, o que será necessário:

 

Tecnologia 

 

Em geral, as ferramentas que a escola precisa ter para suprir as necessidades mais imediatas do ensino híbrido são:

 

  • Plataforma que contemple um Ambiente Virtual de Aprendizagem completo – com salas de aula virtuais; possibilidade de envio de materiais com armazenagem em nuvem; formulário para a aplicação de exercícios, testes e redações; agenda digital para a comunicação com alunos e pais; e grupos para troca de mensagens entre os estudantes.

 

  • Notebook (para a transmissão ou gravação das aulas presenciais com qualidade superior à que é possível obter com telemóveis ou tablets)

 

  • Câmara (opcional, para aumentar a qualidade da imagem, já que a da webcam é mais limitada)

 

  • Microfone (opcional, para aumentar a qualidade do áudio, já que o espaço de uma sala de aula é muito grande para o microfone de um computador pessoal dar conta)

 

  • Tripé (opcional, para posicionar melhor a câmara na sala, caso ela seja usada) 

 

Com estes recursos, já será possível transmitir as aulas que ocorrem na escola para o grupo de alunos que necessitou continuar em casa. Será possível também realizar todas as outras atividades escolares necessárias.

 

Caso a escola decida se aprofundar mais no ensino híbrido e adotar algum dos modelos já conhecidos do método, poderá ter que providenciar outros recursos, compatíveis com o modelo escolhido.

 


 

Adaptação de atividades para dois grupos de alunos

 

Com uma parte dos alunos de regresso às salas de aula e a outra em casa, certas adaptações serão necessárias em relação ao que foi feito em EaD:

 

Aulas

 

Os professores regressaram às salas, mas não apenas para dar aulas aos alunos que estiverem lá em frente a eles. Por isso, é importante que a câmara e o microfone estejam posicionados de forma que os estudantes que estão em casa possam ter uma boa visualização do professor e escutá-lo bem. Quanto ao conteúdo que normalmente é escrito no quadro, o ideal é que ele mantenha as adaptações do momento atual e continue a ser digital. Assim, poderá ser visto pelos alunos que estão em sala e partilhado com os alunos que estão em casa.

 

Materiais

 

Com relação aos materiais didáticos, precisarão ter uma versão física e uma digital ou poderão ser somente digitais, servindo assim a todos os alunos. Para que sejam disponibilizados mais facilmente, muitas escolas já adotam aplicações com possibilidade de armazenamento em nuvem (cloud). O ideal é que isso se mantenha, para que os telemóveis dos estudantes ou dos pais não fiquem sobrecarregados com ficheiros, comprometendo a memória do aparelho.

 

Testes

 

Com o regresso das aulas presenciais para uma parte dos alunos, o período de testes precisará ser readequado. Os estudantes em aula poderão realizar a prova fisicamente, mas para os que ficam em casa, uma das soluções é que ela possa ser realizada digitalmente. 

 

Para que tudo seja o mais justo possível, a escola pode definir que a execução dos testes ocorra em tempo real para todos, ou seja, o professor faz o envio do teste online no mesmo horário em que entrega o teste físico aos estudantes que estão em sala. Ao término da aula, os alunos em sala entregam as avaliações e os que estão em casa realizam o envio, sob pena de perderem pontos caso atrasem.

 

Trabalhos em grupo

 

Trabalhos em grupo não são impossíveis mesmo com a recomendação da manutenção do distanciamento social ou um possível regresso a períodos de isolamento. Basta que a escola disponibilize uma ferramenta para que os estudantes possam trocar informações e materiais uns com os outros. A formação de grupos híbridos, compostos por alunos que estão em sala e alunos que estão em casa, é uma possibilidade real. Com tecnologia, a comunicação entre eles é tranquila, bem como a divisão de tarefas e as pesquisas pela internet.

 

A própria apresentação do trabalho pode ser realizada de forma híbrida. Os alunos em sala apresentam a parte deles presencialmente e os que estão em casa apresentam pelo ecrã. O produto final pode ser totalmente digital ou pode ser materializado pelos estudantes que estão em sala para, posteriormente, ser entregue ao professor.

 

Conclusão

 

A cara da educação nunca mais será a mesma após a experiência de isolamento social que vivenciamos. O momento provocou profundas transformações em todos os atores do processo educacional: professores, gestores, alunos e familiares. A aprendizagem adquirida e as possibilidades descobertas com a tecnologia não conseguirão ser ignoradas e nem esquecidas por quem fez parte desse período de profunda transformação. A volta gradual ao normal, na verdade, será a um “novo normal”.

 

Além da necessidade imediata de aulas híbridas para incluir o grupo de alunos que não conseguirá retornar à escola ao mesmo tempo que os outros, a tendência é que os modelos de ensino híbrido em sala de aula sejam experimentados e utilizados de forma mais permanente, mesmo quando todos os alunos já possam sair do isolamento. Por isso, é importante que as escolas se programem para uma realidade bem diferente da que existia até então. Afinal, a lição que aprendemos com tudo isso é que a evolução não pede para passar, ela simplesmente se impõe.

 

A sua escola já está preparada para implantar o ensino híbrido em sala de aula? Entre em contato connosco por aqui que o ajudaremos a começar!

 

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AUTOR:

Graziela Balardim

A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.