Educação do século XXI: o desafio de ensinar em meio ao excesso de informação

20 de abril de 2018 | sem comentário | Categoria(s): Educação, Tecnologia no Ensino, Tendências

Tempo estimado de leitura: 5 minutos (1054 palavras, 5971 caracteres)

A figura do professor mudou muito ao longo das décadas. Ele não é mais visto como alguém que detém todo o conhecimento disponível na área em que atua. Tampouco é preciso que o aluno passe horas na biblioteca com uma pilha de livros para que encontre o que busca. Na educação do século XXI, o conhecimento está fora da redoma.

 

Eis o grande desafio dos professores e escolas dos novos tempos: assimilar as transformações; criar métodos para atrair a atenção dos estudantes; e agregar conhecimento a eles, oferecendo algo além do que eles poderiam obter na internet.

 

A mudança pede urgência

 

Os educadores e gestores escolares que não acompanharam as mudanças provocadas pelos avanços tecnológicos, certamente levaram um susto. A antiga forma de se fazer as coisas, que deu certo durante décadas, não consegue mais ser comportada pela educação do século XXI.

 

A realidade ergue-se implacável, e a necessidade de um novo olhar sobre o ensino fica bem evidente quando observamos dados estatísticos. A evasão escolar, por exemplo, um grave problema no país, tem como principal causa a falta de interesse dos alunos, que é responsável por mais de 40% dos casos.

 

Se os estudantes estão perdendo o entusiasmo pelo que é ensinado, esse é um forte indício de que algo está errado. E embora não haja uma receita de bolo para solucionar o problema, ignorá-lo, com certeza, não é a melhor opção.

 

Diversas instituições educacionais, em todos os níveis, já se deram conta da falta de sincronia da antiga metodologia de ensino com os novos tempos. Na busca pela transição para um modelo mais aderente à educação do século XXI, novas formas de se transmitir informação estão sendo pesquisadas e testadas.

 

Construção coletiva do conhecimento

 

Uma nova maneira de se ensinar sobre a qual os pesquisadores têm se debruçado é a construção coletiva do conhecimento. Mais do que um termo presente em teses e artigos acadêmicos, ela é um fenômeno que já se observa na internet há mais de uma década.

 

Essa produção de informações de maneira coletiva está presente em músicas, vídeos e textos que não pertencem a um único dono, não foram feitos por uma pessoa só. Nela, as informações se complementam, se aprimoram. Tudo fica à disposição de todos, para consumir ou agregar. O site Wikipédia é um bom exemplo disso.

 

O fenômeno demonstra uma quebra de paradigma, pois abandona o ideia de que conhecimento é poder, de que o poder está com quem o detém, e de que não deve, portanto, ser compartilhado.

 

A aplicação de um formato de construção coletiva do conhecimento em instituições de ensino seria uma forma de incluir o aluno no processo de ensino-aprendizagem, valorizando o conhecimento que ele já traz.

 

Nesse modelo, o estudante não é apenas o receptor de informações, mas também um ator ativo da construção delas. É um cenário no qual todos ensinam e todos aprendem. A informação não é hierarquizada, e sim produzida de forma horizontal.

 

Embora a adoção do modelo por instituições educacionais ainda esteja em fase embrionária, já há resultados promissores, como é possível observar nesta tese de doutorado, que faz um comparativo entre um estabelecimento de ensino que incorpora estratégias do método e um que não os utiliza.

 


 

Aprendizado ativo

 

Um outro modelo que também está em sintonia com a educação do século XXI, e que é bastante similar ao anterior, é o aprendizado ativo. Nele, a participação do aluno é instigada pelo professor que conduz a aula.

 

Aqui há um rompimento total daquilo que o antropólogo e escritor Darcy Ribeiro alcunhou de “pacto da mediocridade”, no qual o professor finge que ensina enquanto o aluno finge que aprende.

 

No método ativo, a ideia não é que o aluno escute e anote, e sim que ele interaja, critique, escreva, faça. O processo não acontece sem o engajamento dele.

 

As estatísticas são as maiores aliadas da adoção do modelo. Pesquisa realizada pela Faculdade Paulista de Pesquisa e Ensino Superior (FAPPES), que usa a metodologia, mostra dados nada favoráveis aos métodos tradicionais.

 

Conforme com o levantamento, os estudantes ouvem 70% do que é dito nos primeiros 10 minutos de aula e apenas 20% nos 10 minutos finais.

 

Ainda de acordo com a pesquisa, os alunos aprendem 70% do que dizem e escrevem em grupos de discussão e 90% do que fazem quando estão praticando. Já quando assistem a uma palestra, o aprendizado fica em 20%. Ele decai ainda mais quando ocorre pela leitura de artigos, revistas e livros, ficando em 10%.

 

Os dados mostram que a ideia de que o aluno é um invólucro vazio que precisa apenas ser preenchido com conhecimento não faz mais sentido para a educação do século XXI.

 

Finalizando

 

Em uma época em que há tanta abundância de informação, é impensável a ideia de que o estudante chega em sala de aula vazio. Ele também traz conhecimento, então tem a necessidade de interagir, agregar, fazer parte do processo.

 

Para se fazer um ensino aderente à educação do século XXI, é importante o entendimento de que o aluno de hoje não se conforma em apenas absorver conteúdo, ele também quer colocá-lo para fora.

 

É uma grande mudança de mentalidade em relação à forma de se ensinar de outros tempos, mas a capacidade de adaptação é a chave do sucesso.

 

Leia mais
– Escola do ontem e do hoje: o que mudou?
– Gerações sem conflitos: alunos são sinônimos de transformações

 

E a sua escola, está alinhada com a educação do século XXI? Se quiser se aprofundar mais sobre as transformações dos novos tempos, que tal a leitura deste eBook sobre A Nova Escola?

 

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A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.


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