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Método Montessori

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15 de setembro - 2021

Método Montessori: o aprendizado centrado no aluno

Tempo estimado de leitura: 9 minutos (1806 palavras, 10523 caracteres)

A missão de ensinar levou a humanidade, ao longo dos tempos, a formular metodologias que buscam aprimorar cada vez mais o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Hoje você vai conhecer uma delas – o Método Montessori – presente atualmente em mais de 25 mil escolas por todo o mundo. Venha comigo e vamos entender melhor como o modelo funciona!

 

O que é o Método Montessori?

 

O Método Montessori é a metodologia desenvolvida pela psiquiatra italiana Maria Montessori usando como ponto de partida a observação. Nesse modelo, entende-se que a criança tem grande capacidade de aprender sozinha, com bastante liberdade e autonomia. O adulto não deve podá-la, fazendo por ela coisas que ela sente que tem capacidade de fazer sozinha.

 

A metodologia parte da premissa de que, ao longo da vida, o ser em desenvolvimento busca cada vez mais a independência do adulto, e que essa independência ocorre em fases. No decorrer delas, a criança/adolescente vai entendendo cada vez mais o mundo ao seu redor e o seu papel nele, até alcançar o desenvolvimento pleno.

 

Como o Método Montessori surgiu?

 

As raízes do Método Montessori podem ser encontradas na experiência que a psiquiatra italiana Maria Montessori teve em em fins de século XIX em uma clínica universitária com crianças que possuíam necessidades especiais.

 

Maria e um colega trabalharam para oferecer a essas crianças um desenvolvimento mais completo e mais qualidade de vida. Assim, criaram a Escola Ortofrênica. Os resultados foram espantosos, e mostraram que essas crianças, mesmo com suas limitações, conseguiram avançar mais no aprendizado do que crianças sem deficiências que frequentavam escolas comuns.

 

A partir daí, Maria decide estudar mais a educação, realizando cursos na área. Em 1907 ela funda a Casa das Crianças, visando experimentar com liberdade novos métodos pedagógicos e observá-los no desenvolvimento de crianças sem necessidades especiais. Dessa experiência surge o método que Maria batizou de Pedagogia Científica, e que hoje chamamos de Método Montessori.

 

Como o Método Montessori vê os planos de desenvolvimento?

 

Um ponto importante para o educador do Método Montessori é o entendimento das fases de desenvolvimento humano. Até mesmo para os pais é essencial conhecê-las, pois elas não acontecem somente em sala de aula. Para Maria Montessori, esse desenvolvimento ocorre em quatro etapas, os Planos de Desenvolvimento:

 

  • 0 a 6 anos

 

Essa é a fase da “mente absorvente”. O cérebro da criança funciona como uma esponja, primeiro inconscientemente (até os três anos) e depois conscientemente (dos três aos seis anos). Nesse primeiro plano, a criança começa a descobrir o mundo, a sugar todas as informações que estão ao redor: imagens, sons, linguagem, etc., e depois a consolidá-las.

 

A criança gradualmente vai adquirindo o primeiro nível de independência do adulto, aprendendo a andar, a falar, a manipular ferramentas como tesouras e canetas, e a dominar o pequeno mundo palpável que está ao redor dela.

 

  • 6 a 12 anos

 

Na segunda fase a criança começa a tentar alcançar o mundo não palpável, a entender aquilo que ela não pode ver nem tocar, como outras épocas da história, animais da floresta e dos oceanos, outros países, o universo, etc. A imaginação começa a trabalhar a mil e a criança começa a buscar a independência intelectual.

 

Inicia-se também o desenvolvimento moral. A criança começa a querer entender os “porquês” das coisas, a criar um senso de justiça, a analisar e questionar comportamentos, a estabelecer o seu próprio padrão de comportamento tendo os adultos como referência, a se engajar com causas, a aprender sutilezas da boa convivência e a ampliar a socialização.

 

  • 12 a 18 anos

 

A terceira fase é um período de profundas transformações psicológicas e hormonais. O pré-adolescente/adolescente começa a experimentar sentimentos novos e profundos, a sensibilidade e a insegurança aumentam e a rebeldia surge. 

 

Eles também começam a independência social do adulto. Querem pertencer a um grupo e socializar sem ter os pais por perto. A necessidade de um relacionamento afetivo aflora, e eles começam a namorar ou querer namorar. Nessa fase eles também podem começar a trabalhar como estagiários, menores aprendizes ou voluntários, algo que é muito recomendado pelo Método Montessori.

 

  • 18 a 24 anos

 

Na quarta fase é o momento de ir atrás da última independência: a financeira. O adulto começa a buscar uma carreira, seja na faculdade, em cursos técnicos ou livres. Ele procura achar o seu caminho, o seu propósito. Esse propósito vai além da profissão escolhida, e diz respeito ao papel cósmico que ele desempenhará no mundo.

 

Quais são os princípios do Método Montessori?

 

Maria Montessori nunca definiu uma lista de princípios para o método que desenvolveu. Porém, estudiosos do método organizaram suas ideias em alguns princípios, que podem ser encontrados com nomes diferentes em diferentes literaturas, o que não afeta a essência deles. Confira:

 

  • Autoeducação

 

Sim, você não leu errado. O Método Montessori entende que as crianças têm um enorme potencial para o autoaprendizado. Por isso, deve-se fornecer a oportunidade para que elas observem outras pessoas fazendo as atividades; experimentem executar as tarefas sem ajuda e sem interrupção; percebam os próprios erros de forma natural e os corrijam; e superem suas limitações gradualmente e em seu próprio ritmo.

 

É normal que a criança não consiga fazer as coisas na primeira tentativa, mas o adulto precisa confiar nela, pois ela continuará insistindo até conseguir. Dessa maneira, o método busca um desenvolvimento mais natural e com resultados superiores.

 

  • Educação cósmica

 

Educação cósmica diz respeito à percepção de que tudo está conectado. É importante que as crianças comecem a desenvolver essa visão mais universal e vejam como cada coisa colabora para um todo. Para isso, a curiosidade delas é estimulada com perguntas, histórias e pesquisas, proporcionando assim uma expansão das ideias e das compreensões.

 

  • Educação como Ciência

 

O Método Montessori foi elaborado com base na observação de crianças trabalhando com liberdade em um ambiente semiestruturado, na experimentação de novos métodos pedagógicos, na formulação de hipóteses e teorias e na análise de resultados. É assim que o educador do método trabalha, entendendo qual é a melhor abordagem para cada criança.

 

Como deu para perceber, o método não se prende a crenças e modos de agir, e tem no método científico o seu guia. Descobertas recentes no campo da neurociência, inclusive, dão respaldo à metodologia.

 

  • Ambiente Preparado

 

A independência da criança, no Método Montessori, requer um ambiente adequado, com materiais ao alcance dela, que não exijam que ela dependa de um adulto para alcançá-los. Por isso, em salas montessorianas para crianças pequenas, os móveis são mais baixos, e tudo está na altura delas, e não na dos adultos. Assim, os pequenos podem buscar o material que querem trabalhar durante a aula sem precisar pedir.

 

Até as mesas para as atividades são baixas, e o chão é um elemento muito utilizado, seja com tapetes, tatames e almofadas ou mesmo sem nada. Itens básicos como bebedouros, pias e banheiros também precisam estar na altura da criança.

 

Além disso, as salas possuem materiais completos da pedagogia montessoriana e utensílios da vida cotidiana. Não se surpreenda, por exemplo, de encontrar por lá uma cozinha ou uma área de serviço que parecem ter saído de uma casa de bonecas.

 

  • Adulto Preparado

 

O educador no Método Montessori precisa ter o conhecimento e o preparo necessário para trabalhar com a metodologia. Para isso, precisa entender as fases de desenvolvimento, os princípios e passar por uma profunda transformação, aprendendo a enxergar e lidar com as crianças de uma maneira bem diferente da que os adultos estão habituados a fazer.

 

Esse adulto preparado confia na capacidade de autoaprendizado da criança, e nunca a auxilia mais do que o mínimo necessário. Ele se faz presente e observa se ela dá indicações de que precisa dele. Assim, a criança vai ganhando cada vez mais independência, e a interferência do adulto se faz cada vez menos necessária.

 

  • Criança Equilibrada

 

A criança equilibrada é aquela que está em seu desenvolvimento natural, sem ser podada pelo adulto. Dos zero aos seis anos, os pequenos estão com o pensamento totalmente focado na ação que estão executando. Muitas vezes os adultos os impedem, deixando a vontade e a ação desconexas. Isso afeta o desenvolvimento das crianças de várias maneiras, podendo deixá-las, por exemplo, apáticas e com movimentos desordenados.

 

O Método Montessori busca trazer a criança de volta ao seu centro de equilíbrio, possibilitando que ela esteja em um ambiente que lhe traga bem-estar; que ela faça atividades com concentração pelo tempo que quiser, com a mente e o corpo em sintonia; e que ela encontre tarefas desafiadoras que despertem seu interesse e a faça se movimentar.

 

Algumas características de escolas do Método Montessori

 

  • Ambiente preparado com mobiliário baixo e tudo ao acesso da criança
  • Atividades manuais
  • Conjunto completo de materiais da pedagogia montessoriana e de utensílios da vida cotidiana
  • Autonomia da criança na escolha das atividades e no tempo em que passará nelas
  • Professores atuando como guias, interferindo somente o mínimo necessário
  • Não há elogios, medalhas, troféus ou prêmios. O aprendizado é a maior conquista, e a motivação tem que vir de dentro.

 

Leia mais
– Métodos de ensino: conheça 10 dos mais conhecidos e entenda mais sobre eles
– Aprendizado colaborativo:o que é e como a tecnologia pode ajudar a fomentá-lo

 

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AUTOR:

Graziela Balardim

A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.