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Inclusão Digital

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25 de janeiro - 2021

Inclusão Digital: como promovê-la em escolas públicas para fazer a educação chegar a todos em 2021

Tempo estimado de leitura: 9 minutos (1804 palavras, 10521 caracteres)

Entre as várias facetas da pandemia no contexto escolar, uma das mais intragáveis é o abismo educacional que ela acentuou. Infelizmente existem ao menos 4,8 milhões de crianças e adolescentes entre nove e 17 anos sem acesso à internet no Brasil, conforme dados da pesquisa TIC Kids Online 2019. Muitos não têm inclusive um aparelho para usá-la, como celular ou computador. Essa realidade é vivenciada por uma parcela dos alunos de escolas públicas, por isso é importante que as instituições e gestores públicos busquem estratégias para promover a inclusão digital.

 

Para entendermos a gravidade da ausência de inclusão digital durante a pandemia, basta observarmos os dados de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas. Ela aponta que o tempo de dedicação a atividades escolares entre alunos de seis a 15 anos na quarentena é de pouco mais de duas horas e meia por dia, ou seja, quase metade da jornada mínima estipulada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que é de quatro horas. A pesquisa também revela que alunos mais pobres são 633% mais afetados pela falta de oferta de atividades do que os mais ricos.

 

A conclusão a que podemos chegar é de que estudantes com menos condições econômicas têm menos acesso à tecnologia – recurso que em tempos de pandemia e de isolamento social é um fator determinante para a continuidade do ensino. Se essa é a realidade de alunos da sua escola ou de instituições do município no qual você é gestor público, continue lendo este artigo e veja algumas táticas possíveis para enfrentar o problema e buscar a inclusão digital.

 

Levantamento de alunos que não têm acesso à tecnologia

 

Antes de tudo, a primeira coisa a ser feita é um levantamento da quantidade de alunos da sua escola ou do seu município que não têm um aparelho para assistir aulas online – como celular, computador ou tablet – e também da quantidade de alunos sem acesso à internet. Só com esse levantamento em mãos será possível ter uma dimensão do problema, para que então as estratégias possam ser traçadas para enfrentá-lo.

 

Se você é diretor de uma escola pública, será necessário empregar formas digitais e não-digitais para fazer esse levantamento. As maneiras digitais (agenda digital, e-mail, WhatsApp) farão um filtro para que a escola tenha menos trabalho manual depois. É claro que quem não tiver acesso à tecnologia não responderá por esses meios, então, para todos que não responderem, a instituição precisará se valer de recursos não-digitais para a pesquisa, como telefonemas, visitas e pesquisa com quem for à escola.

 

Talvez você pense que esse levantamento por recursos não-digitais não seja necessário, pois os pais que não responderam à pesquisa por meios eletrônicos é porque, de fato, não têm acesso à tecnologia. Na verdade, isso não é muito preciso. Há pessoas, por exemplo, que têm computador e internet, mas que não têm conta de e-mail, ou não fazem a verificação com frequência. Então, para que a sua instituição realmente consiga um resultado preciso com esse levantamento, é necessário que empregue todas as formas possíveis. 

 

Como você percebeu, tudo isso dá um certo trabalho, mas é algo importante a ser feito. Com o levantamento em mãos a escola obterá, além dos números totais de estudantes sem acesso à tecnologia, o mapeamento de quais são esses alunos. Tendo essa base, é possível ser mais eficiente nas estratégias.

 


Campanhas para a arrecadação de celulares usados

 

Uma ideia que a escola pode empregar para conseguir celulares para aqueles alunos que não têm nenhum aparelho para assistir às aulas online é a criação de campanhas para a arrecadação de celulares usados. Muitas pessoas quando compram um celular novo guardam o antigo na gaveta e o esquecem lá. Esses celulares usados podem mudar a realidade de muitas crianças e adolescentes.

 

A campanha pode começar dentro da própria escola, com os pais e parentes de estudantes que têm acesso à tecnologia. Eles podem ter algum celular usado para doar. A comunidade do entorno da instituição também pode contribuir. É possível deixar cartazes nos muros da escola para que as pessoas que passarem pelo local fiquem sabendo e possam entregar seus celulares usados ali.

 

Dá para trabalhar essa campanha de várias outras formas também. Um grupo de colaboradores voluntários, por exemplo, pode passar em empresas e escolas particulares arrecadando celulares usados. Até bater de porta em porta é válido. 

 

É possível também divulgar a campanha em redes sociais, tentar conseguir influencers locais que se engajem voluntariamente na causa e ligar para veículos de comunicação para tentar conseguir uma matéria sobre isso. Com uma boa dose de iniciativa e criatividade, dá para driblar os obstáculos e levar a educação mais longe!

 

Rifas para a aquisição de celulares

 

Uma outra ideia que pode substituir ou complementar a primeira é a criação de uma rifa, como muitas escolas fazem por diversos motivos. É possível tentar obter um prêmio para sortear com alguma empresa e vender uma boa quantidade de bilhetes. O valor arrecadado pode ser utilizado para a compra de smartphones de segunda mão para os alunos que ainda estão sem aparelho para assistir às aulas.

 

Espaços dentro da estrutura da escola para aulas online

 

Para escolas que já saíram do EaD total e estão em formato híbrido, a inclusão digital pode ser obtida usando a própria estrutura da instituição. Funciona assim: enquanto um grupo de alunos está com o professor em sala de aula dentro do distanciamento social demarcado, outro grupo pode assistir à transmissão dessa mesma aula em salas desocupadas, ginásios, auditórios ou áreas abertas da escola, também dentro de um distanciamento social.

 

A escola pode usar notebook e projetor para reproduzir a imagem em lençóis brancos, que funcionariam como um telão, ou então jogar a imagem do notebook ou do celular para uma televisão. É claro que para isso a instituição precisa adquirir esses equipamentos, que podem até ser comprados já usados. A ideia da rifa também pode ser aplicada para essa finalidade. Outra possibilidade é realizar uma “vaquinha” com a associação de pais ou até buscar doações com empresários locais.

 

Os espaços da escola usados para essas transmissões só precisam comportar o grupo de alunos que não tiver acesso à tecnologia em casa, então aqui entra mais uma vez a importância do levantamento que comentamos no primeiro tópico. Sabendo a quantidade de estudantes que precisam de inclusão digital, a instituição de ensino consegue saber a viabilidade de oferecê-la dentro da própria estrutura.

 

Iniciativas do poder público

 

Se você é prefeito municipal, este tópico é só para você! Diversos municípios já criaram projetos para a inclusão digital dos alunos da rede pública de ensino nesta época de pandemia. E o seu, já está se mobilizando para atender a essa necessidade?

 

Vou te mostrar algumas ações bem legais que já foram aplicadas para escolas públicas em alguns municípios. Espero que elas te inspirem! Veja:

 

Distribuição de chips com internet para os alunos

 

Da capital catarinense surge um grande exemplo de inclusão digital promovido pela gestão pública. A prefeitura de Florianópolis irá doar chips com 20GB de internet por mês para 35 mil estudantes da rede municipal de ensino. A distribuição começará em fevereiro e contemplará 100% dos alunos das escolas públicas municipais. Com isso, todas essas crianças e adolescentes terão internet com qualidade e velocidade para assistir às aulas online. Viu que exemplo inspirador? Que tal copiá-lo?

 

Arrecadação de smartphones e disponibilização de pacotes de dados

 

A prefeitura de Recife também se mobilizou para promover a inclusão digital dos alunos dos anos finais do ensino fundamental da rede pública municipal. Lembra da campanha para arrecadação de smartphones que falamos mais para cima? Nesse caso, o poder público é que a encabeçou. Fez uma campanha chamada Escola do Futuro em Casa, cujo slogan era: “Doe um celular. Doe conhecimento”. Os celulares recebidos ganharam chips com pacotes de dados disponibilizados pela prefeitura, e foram entregues para os alunos entre o 6º e o 9º ano. Belo exemplo, não acha?

 

Aquisição de plataforma profissional de aulas online para escolas públicas

 

Para promover uma educação mais igualitária, também temos que considerar o fator qualidade. Pensando nisso, as prefeituras de Figueirão-MS, Guaporé-RS e Flores-RS disponibilizaram para as escolas públicas municipais a Plataforma ClipEscola, que possui um Ambiente Virtual de Aprendizagem extremamente completo, organizado e intuitivo para as aulas online. Ele contempla:

 

  • Sala de aula virtual com transmissões ao vivo e interação por voz ou chat
  • Áreas específicas para cada disciplina 
  • Disponibilização das disciplinas aos alunos de acordo com a grade de cada turma
  • Possibilidade de envio de atividades com prazo de entrega programado
  • Ambiente para acompanhamento do status de entrega das atividades
  • Provas online
  • Agenda digital para tira-dúvidas
  • Recurso de armazenamento em nuvem para os materiais e trabalhos trocados entre alunos e professores

 

A questão do armazenamento em nuvem, inclusive, é essencial para as estratégias de inclusão digital. Afinal, celulares mais simples não têm tanta capacidade de memória, e podem ficar facilmente sobrecarregados de materiais se a armazenagem for no próprio aparelho, o que dificultaria muito o uso para as aulas online, tornando-se até um fator impeditivo.

 

Esse é um problema que não existe na ClipEscola, pois todos os aspectos da solução foram pensados cuidadosamente para entregar uma qualidade de alto nível para EaD e ensino híbrido. Solicite mais informações por aqui.

 

Leia mais
– O que é preciso para oferecer ensino remoto e híbrido até o final de 2021
– O que é uma turma multisseriada e quais são os desafios que ela apresenta

 

Você já percebeu que há diversas ações que podem ser realizadas pelas escolas e pela gestão pública para promover a inclusão digital, certo? Então agora é a hora de agir para que a educação possa chegar a todos!

 

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AUTOR:

Graziela Balardim

A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.