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Turmas Multisseriadas

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13 de março - 2020

O que são turmas multisseriadas e quais são os maiores desafios que elas apresentam

Tempo estimado de leitura: 10 minutos (1999 palavras, 11645 caracteres)

Quem já deu aula para turmas multisseriadas sabe bem o tamanho do desafio. São conteúdos de níveis diferentes que precisam ser conciliados, dúvidas sobre qual é a melhor maneira de distribuir os alunos em sala de aula e a preocupação constante de avançar no aprendizado sem deixar ninguém para trás. Você está preparado para a missão?

 

Se ainda se sente inseguro, não se preocupe, você está indo pelo caminho certo: pesquisando e se informando para oferecer cada vez mais qualidade de ensino aos seus alunos. No post de hoje você vai encontrar ferramentas que te ajudarão a encarar os desafios diários. Me acompanhe!

 

O que são turmas multisseriadas?

 

Vamos começar falando sobre o que são, afinal, as turmas multisseriadas. Elas são turmas heterogêneas constituídas por alunos de séries diferentes e de idades diferentes que dividem a mesma sala e, geralmente, o mesmo professor. Muitas vezes há diferenças no nível de conhecimento até entre os estudantes da mesma série.

 

As turmas multisseriadas são um fenômeno mais comum em zonas rurais, devido a fatores como: difícil acesso, baixo número de alunos e carência de professores. Essa forma de ensino é considerada distante da ideal, mas muitas vezes é a única opção disponível para os habitantes de regiões mais agrícolas.

 

Como trabalhar com turmas multisseriadas?

 

Sabe aquele ditado: “se a vida te der limões, faça uma limonada”? Ele se encaixa perfeitamente para essa situação. Você como professor provavelmente escolheria, se pudesse, um cenário mais próximo do ideal, com uma turma para cada série. Porém, se isso não é possível, vamos fazer o melhor com o que temos, certo?

 

Se você procurar bem, vai conseguir enxergar até uma vantagem nas turmas multisseriadas. Elas possibilitam – em um nível bem mais elevado do que escolas tradicionais – a troca de informações entre os alunos e a construção coletiva do conhecimento. Esses fatores são vistos como positivos e estão cada vez mais em voga na educação do século XXI.

 

Viu? Sempre podemos achar coisas boas de qualquer cenário. Então, se você quer fazer a diferença para os seus alunos, seja incansável e tire sempre o melhor de todas as situações! Veja algumas dicas que podem te ajudar nesse desafio:

 

Diagnóstico

 

No início do ano letivo, o primeiro passo é fazer um diagnóstico com a sua turma para descobrir o nível de conhecimento dos alunos. Mesmo entre estudantes da mesma idade e série pode haver uma grande disparidade nesse ponto. Uma turma de duas séries, por exemplo, pode ter bem mais do que dois níveis de conhecimento.

 

Descubra os potenciais e deficiências existentes na turma, para explorar os primeiros e atacar os últimos. Fazendo um diagnóstico detalhado e documentando-o, você poderá usá-lo para organizar as suas aulas durante o ano letivo. Assim, conseguirá aproveitar o melhor de cada aluno para que o aprendizado alcance a todos.

 

Para obter esse diagnóstico, você precisará fazer algumas atividades com os alunos, para ver como eles se saem. Essas tarefas podem ter como ponto de partida o conhecimento que é esperado dos estudantes de cada série. Após os primeiros resultados, vá refinando as tarefas, até descobrir o conhecimento que os estudantes realmente têm.

 

Uma deficiência que é bastante comum em turmas multisseriadas é a alfabetização. Mesmo alunos tidos como alfabetizados às vezes têm dificuldades em uma leitura fluida, em escrever sem grandes erros de português e até na caligrafia. Tudo isso deve ser descoberto no diagnóstico.

 


Organização da sala de aula

 

A organização da sala de aula é um ponto-chave para o aprendizado nas turmas multisseriadas. Para aproveitar os níveis de conhecimento diversos na sala, o ideal é que a disposição dos alunos favoreça a troca de informações. O diagnóstico que você fez naquele primeiro momento te ajudará com isso.

 

Procure colocar próximos os alunos cuja potencialidade de um supra a deficiência do outro. Em casos em que não haja essa correspondência exata, faça a disposição apenas intercalando níveis de conhecimentos diferentes, pois isso já ajudará.

 

É claro que em dinâmicas específicas, a sala pode mudar de formação. Podem ser criados grupos, por exemplo, montados conforme o objetivo que se deseja alcançar. Mas no dia a dia, dê preferência à formação que permita que os alunos aprendam uns com os outros.

 

Gestão do tempo didático

 

Vamos falar agora sobre o planejamento das atividades diárias nas turmas multisseriadas. Há três pontos importantes a abordar nesse sentido: o que ocorrerá de maneira coletiva, o que será ensinado por séries/níveis de conhecimento e as tarefas individuais.

 

 

  • Atividades coletivas

 

 

O ideal é que, na maior parte do tempo, as atividades sejam feitas de forma coletiva, justamente para valorizar a diversidade de conhecimentos e favorecer o aprendizado colaborativo. Para isso, é importante pensar em tarefas que não sejam nem tão fáceis e nem tão complexas e que contemplem etapas de ao menos dois níveis de dificuldade.

 

Há maneiras de fazer isso. Uma delas é escolhendo um tema para a aula para ser trabalhado por todas as séries, mas de formas diferentes. As séries mais iniciais usam a questão como gancho para focar no tipo de conhecimento que elas precisam aprender e as mais avançadas usam-na para trabalhar conteúdos que estão mais de acordo com o nível de conhecimento que buscam. 

 

Nesse caso, a parte colaborativa do aprendizado ocorre no processo. Durante as atividades a disposição da sala estará heterogênea, e mesmo fazendo partes diferentes da tarefa, os alunos devem ser orientados a prestar auxílio aos coleguinhas que estão ao lado deles, executando a outra etapa da atividade. É importante que essa cultura da colaboração seja incentivada constantemente, pois ela é o grande trunfo das turmas multisseriadas.

 

Outra forma de fazer atividades coletivas é criando duplas ou grupos heterogêneos. Neles, cada um fica responsável pela parte da tarefa que está de acordo com o nível de conhecimento que tem, mas quem sabe mais também orienta quem sabe menos. Nas tarefas seguintes os grupos ou duplas se alternam, mas continuam heterogêneos. Assim, todos acabam aprendendo com todos.

 

 

  • Atividades por séries/níveis de conhecimento

 

 

Além das atividades coletivas, é importante que em alguns momentos haja um espaço para que alunos da mesma série ou do mesmo nível de conhecimento trabalhem separadamente, para que tenham o primeiro contato com novos conteúdos programáticos e aprofundem aprendizados mais específicos.

 

Esses momentos serão um desafio para você, pois quando um professor dá aulas diferentes para a mesma turma, é complicado manter o controle. Por isso, faça essa separação apenas quando for necessário, o que ocorrerá principalmente quando conteúdos totalmente novos precisam ser ensinados. Depois, quando a sala retornar à normalidade da formação heterogênea, os alunos terão avançado mais e poderão espalhar os saberes pela turma.

 

 

  • Atividades individuais

 

 

Em turmas multisseriadas também é possível realizar algumas atividades individuais. Elas não exigirão que o professor dê aulas diferentes, pois nesses casos cada aluno fará a sua tarefa – que será específica para o nível de conhecimento dele – e o professor estará lá para tirar as dúvidas que surgirem na execução da atividade.

 

Aprendizado extraclasse

 

Parte do tempo fora da escola também pode ser usado para fixar o conhecimento obtido em sala de aula ou agregar informações a ele. Há algumas formas de promover isso:

 

 

  • Dever de casa

 

 

O dever de casa é a maneira mais conhecida de usar o tempo fora da escola para dar continuidade ao aprendizado. Ele é uma ferramenta eficaz para a assimilação das informações, pois o cérebro fixa melhor o conteúdo quando ele é revisto. Então, explore essa possibilidade.

 

Você pode passar deveres específicos para cada série, para cada nível de aprendizado ou até tarefas em conjunto para as quais os estudantes precisem se reunir fora da escola. Nesse último caso, é preciso verificar se há alunos que moram perto uns dos outros e se é viável que se reúnam.

 

 

  • Estudo prévio do conteúdo

 

 

Existe um modelo de ensino que tem se destacado muito na atualidade. É a “sala de aula invertida”. Nele, os alunos estudam previamente em casa os assuntos que serão abordados em aula. Dessa forma, o tempo com a turma rende mais.

 

Em geral, os estudantes utilizam a internet para realizar esses estudos prévios. Porém, se essa não é a realidade dos seus alunos, você pode disponibilizar conteúdos da maneira que for possível para que eles estudem antecipadamente em casa. Quando estiverem em sala, essas informações poderão ser debatidas entre os estudantes.

 

 

  • Busca de informações para agregar em sala

 

 

Uma outra forma de explorar o tempo fora da aula para agregar a ela é pedir que os alunos busquem informações sobre um determinado assunto, mas sem fornecer a eles os materiais para isso. Eles devem procurar dados por conta própria nas fontes que conseguirem.

 

Mais uma vez, se internet em casa não for a realidade dos seus alunos, isso não impede que essa busca seja realizada. Há diversas fontes que os estudantes podem utilizar: parentes (conhecimento oral), vizinhos, bibliotecas (se houver), jornais, etc. Pense em alternativas criativas e passe a sugestão a eles!

 

Se for possível, empregue tecnologia!

 

Como falamos no início deste post, as turmas multisseriadas estão presentes de forma predominante em zonas rurais. Há situações em que há precariedade nas condições estruturais da escola e muitas vezes a presença da internet não é uma realidade na instituição e nem na casa dos alunos. Nesses casos, a inovação em sala de aula parte da própria criatividade inventiva do professor, e o uso da tecnologia não é uma opção.

 

Porém, se esse não for o caso da sua escola, e a internet estiver presente tanto na instituição de ensino quanto na casa dos alunos, não deixe de explorá-la! Oriente os estudantes para que realizem pesquisas, tanto para as formas de aprendizado extraclasse que já citamos quanto para qualquer obtenção de conhecimento. Instigue a curiosidade!

 

Use a tecnologia também para passar materiais a eles e para se comunicar com os pais e responsáveis. Isso é possível por meio de aplicativo instalado no celular. Engajando as famílias dos alunos na vida escolar deles, o aprendizado só tem a ganhar. Então, se isso estiver dentro das possibilidades da sua instituição de ensino, aproveite essa ideia!

 

Leia mais
– Evasão: como a tecnologia pode ajudar a combatê-la?
– A importância da família na escola e como isso favorece o desempenho do aluno

 

Espero que você tenha chegado ao final deste post com mais conhecimento do que entrou e que as informações que viu aqui possam te ajudar no desafio de lecionar para turmas multisseriadas. Se a tecnologia fizer parte da realidade da sua escola e você quiser a nossa ajuda, entre em contato por aqui.

 

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AUTOR:

Graziela Balardim

A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.