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Professores na quarentena

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09 de outubro - 2020

Professores na quarentena: a missão de ensinar que ultrapassa barreiras

Tempo estimado de leitura: 12 minutos (2299 palavras, 13247 caracteres)

A capa de super-herói não é leve. Os professores na quarentena sabem bem disso, pois a usam diariamente. Esses heróis anônimos, para salvar o aprendizado, quebraram barreiras. Sem saber como, foram lá e fizeram. Adentraram o desconhecido, aprenderam a usar novas tecnologias, adaptaram as aulas físicas para o formato digital, superaram seus medos. Fizeram tudo isso em ritmo de trem-bala, pois tempo era um luxo que não havia. Hoje a batalha ainda é diária, mas a vitória também, e ela vem a cada vez que o conhecimento atravessa a tela e transforma vidas.

 

O artigo de hoje é dedicado a esses heróis. Vamos falar sobre as adversidades que eles tiveram que superar para cumprir com a missão de levar o aprendizado aos alunos aonde eles estivessem.

 

A casa que virou sala de aula

 

Os professores de aulas presenciais nunca poderiam imaginar que de uma hora para a outra a casa em que moravam seria convertida em sala de aula, ou ao menos, uma parte dela. Isso, porém, foi exatamente o que aconteceu. E mais: aconteceu em um momento em que as outras pessoas que moravam com os educadores também entraram em isolamento social. Ou seja, o desafio não foi nada pequeno, e exigiu a conciliação de espaços, horários e tecnologias disponíveis no local.

 

“A principal dificuldade foi conciliar um espaço próprio para organizar esse trabalho, para deixar o computador, e a questão de organizar a família também para ter esse momento sozinha, para poder trabalhar com toda a família em casa”, explica a professora universitária Graziélla Cristofolini da Rosa. 

 

A educadora conta que a casa em que mora é pequena, então esse foi o maior desafio. Para superá-lo, o jeito foi separar espaços e organizar horários, para assim evitar barulho durante os momentos de aula.

 


Papéis de professores, pais e responsáveis tudo ao mesmo tempo

 

Quando há crianças em casa, o desafio do professor é dobrado. As horas para cada papel se misturam, pois tudo acontece dentro do mesmo espaço. No caso de Graziélla, que tem uma sobrinha pequena que mora na mesma casa, foi necessário combinar horários com a irmã para conciliar o trabalho das duas e a atenção à pequena, que estava sem aulas.

 

Já para na casa da professora de educação infantil Juliane Klein, o desafio foi conciliar a preparação de atividades remotas para crianças de cinco e seis anos com os estudos da filha e dos três dois enteados, que estavam no 8º, 6º, 4º e 1º ano. Como desafio pequeno é bobagem, a educadora ainda é mãe de um bebezinho, que no início da quarentena estava com apenas 11 meses. Você percebeu o tamanho da garra necessária para dar conta de tudo? Pois saiba que Juliane deu!

 

“A gente se desdobrava”, conta. Enquanto o marido cozinhava o almoço, ela ficava com as crianças dando atenção e ajudando-as com as matérias escolares. Depois, ele ficava com elas enquanto ela preparava as atividades de aula. Ou então deixavam as crianças estudando com o notebook e o celular na parte do dia para que à noite a educadora pudesse usar os aparelhos para as atividades dela. “Está sendo bem puxado, mas acho que tudo é visando a saúde”, afirma a educadora, referindo-se ao isolamento social adotado para evitar o contágio por Covid-19.

 

Para Andréia Balardim Migliavacca, também professora de educação infantil e mãe de dois filhos de 10 e seis anos, o jeito para conciliar as atividades pedagógicas remotas dela com os estudos online dos filhos foi criar uma rotina de estudos. Tanto no caso dela quanto no dos filhos, não há aulas online, e sim atividades pedagógicas que são enviadas. Então ela e a família organizam dias da semana e definem prazos para que nada fuja do controle. “É preciso ter disciplina”, garante.

 

Adaptação das aulas para o formato remoto

 

Boa parte dos professores na quarentena nunca tinha dado aulas a distância. As aulas do ano inteiro foram planejadas para um cenário físico, porém, o impensável aconteceu, e tudo precisou ser adaptado para o virtual “a toque de caixa”.

 

O professor universitário Grégori Michel Czizeweski precisou se acostumar a “dar aula para uma câmera”, o que no início achou complicado. Ele estava acostumado a provocar debates e promover o diálogo com os alunos, e sentiu que a dinâmica era um pouco diferente nas aulas online. Também precisou se acostumar a não ter uma lousa física, algo que usava muito. Tudo foi transformado em slides.

 

Já para Juliane Almeida, também professora universitária, o maior desafio na adaptação das aulas foi passar atividades manuais de geometria descritiva – que envolvem desenhos com régua e compasso – para o digital. “Ainda fazemos as atividades práticas com os instrumentos de desenho no formato remoto. No entanto, eu não consigo acompanhar o andamento dos alunos na execução das atividades”, explica. 

 

A professora, que assessorava a execução das atividades em sala, agora corrige os desenhos digitalizados, o que não é simples, pois envolve medidas precisas. No entanto, Juliane dá um jeito. Pede as medidas aos alunos, adapta o tablet como mesa digitalizadora, dá aulas para o esclarecimento de dúvidas, descobre novas ferramentas e faz algumas “engenharias”. Apesar de alguns empecilhos encontrados no ensino remoto, ela é categórica : “eu amo tecnologia”.

 

Situações inesperadas

 

Ninguém está livre de alguns imprevistos, e no ensino remoto eles também aparecem. Afinal, a situação de aulas remotas surgiu de uma hora para a outra, sem um prévio planejamento disciplinar e estrutural. Então, diante de eventuais acontecimentos inesperados, os professores já estão percebendo que ter um “plano B” ajuda muito.

 

A necessidade já foi sentida pelo professor de inglês Victor Soares Santibanez, que trabalha com aulas particulares. Ao migrar as aulas para o digital, ele notou que alguns imprevistos acabam acontecendo devido à velocidade da internet ou à aparelhagem que o aluno possui. Em alguns casos, por exemplo, há atrasos no áudio/vídeo e ecos.

 

Diante disso, Victor percebeu que era preciso desenvolver estratégias para lidar com certas situações. “Quando a gente planeja uma aula com áudio ou com vídeo, existe a chance de que aquilo não vá ser possível, pela limitação da conexão e do meio. Então a gente precisa estar sempre pronto para fazer isso na forma de um texto ou ter uma outra atividade preparada”, recomenda.

 

Comunicação com os pais

 

As mudanças da quarentena também geraram muitas dúvidas nos pais, e a necessidade de comunicação escolar se mostrou mais importante do que nunca. A questão, porém, foi um outro desafio aos professores de escolas que ainda não realizavam esse processo por agenda digital – solução que permite a configuração de horários específicos para a comunicação entre pais e professores.

 

A professora de educação infantil Juliane Klein, por exemplo, leciona em uma escola pública que não utiliza agenda digital. Ela sentiu que precisava de um canal de contato com os pais mais acessível do que o sistema utilizado pela prefeitura, que é pesado e muitas vezes não abre em determinados celulares. Então tomou a iniciativa de criar um grupo de WhatsApp com todas as famílias, para poder atendê-los.

 

Juliane explica que se colocou à disposição dos pais. Eles enviam mensagens a qualquer horário e ela responde quando pode. “Eu já troquei mensagem com uma mãe, por exemplo, 1h30 da manhã. Eu acordei por causa do meu bebê, ela tinha mandando uma pergunta e eu não tinha visto. Eu respondi, ela estava acordada e a gente trocou mensagem ali naquele horário”, conta.

 

No caso da educadora, que muitas vezes precisa deixar o celular com a filha para os estudos da menina, ela não vê muito jeito a não ser atender aos pais a qualquer horário. Entretanto, ela diz que sabe que há professores que trabalham de uma outra forma, realizando o atendimento dentro do horário de trabalho.

 

Em escolas que utilizam agenda digital, por exemplo, as mensagens trocadas com os pais consistem em recados digitais, e não em conversas instantâneas. A escola pode configurar para que eles só atendam dentro de determinados horários. Se os pais enviam recados fora daqueles horários ou em finais de semana, por exemplo, recebem uma mensagem automática informando quando o recado será respondido. Outra vantagem da agenda digital é que ela é bem leve e utiliza armazenamento em nuvem.

 


Vantagens identificadas no formato de aulas online

 

É inegável que passar as aulas físicas para o formato digital de uma hora para a outra foi um enorme desafio para todos, principalmente para os professores. Porém, eles também conseguem enxergar benefícios na situação.

 

“O ensino remoto proporciona independência, resiliência e autodisciplina aos participantes. É muito mais simples ajustar o ensino remoto às condições do indivíduo do que o presencial”, relata a professora universitária Juliane Almeida.

 

Ela, que identificou certas dificuldades com relação a atividades manuais que exigem desenhos com régua e compasso, por outro lado disse não ter encontrado problema algum na adaptação de outras atividades para o formato remoto, e chegou até a receber elogios de alunos pela forma como ela organizou a disciplina no meio online.

 

Juliane Klein, professora de educação infantil, também enxerga alguns benefícios. “Enquanto professora eu vejo que muitos pais estavam muito focados com trabalho e tudo mais, não davam tanta atenção às crianças, e a pandemia acabou forçando esse contato. Isso eu vejo como positivo. Às vezes os pais chegavam muito cansados em casa e acabavam não dando tanta atenção para a criança. O fato de ter que fazer uma atividade força o contato que é muito positivo para a criança”, afirma.

 

Até como mãe ela enxerga algumas vantagens na situação atual, apesar de toda a correria em que está. “Foi muito positivo a questão de ver o esforço da minha filha, o quanto ela se desenvolveu, porque às vezes ela ficava com vergonha de tirar dúvidas na sala de aula e acabava não aprendendo, e aqui em casa ela conseguiu”, garante. Além de tudo, o trabalho home office de professora permitiu que Juliane pudesse estar mais em contato com o outro filho – um bebê que estava com 11 meses no início da pandemia – e acompanhar a evolução dele.

 

Já para o professor de inglês Victor Santibanez, a maior vantagem das aulas a distância está na comodidade. “Eu tenho notado que os alunos gostam bastante de estar em casa, de não ter que se locomover para ter aula”, afirma.

 

O professor universitário Grégori Czizeweski acredita que a experiência de aulas online trouxe aprendizados com relação a como tirar o maior proveito possível das tecnologias disponíveis. Ele cita como exemplo o uso do Google para pesquisas. “Ele está ali à mão o tempo todo, e fazer isso junto com os alunos, em tempo real, é algo interessante. Apresentar trechos de filmes, de música, imagens, tudo isso foi, de certa forma, facilitado”, reflete.

 

Como a ClipEscola consegue ajudar nos desafios diários dos professores na quarentena

 

Como você percebeu, a quarentena apresenta inúmeros desafios aos professores e exige muito empenho e superação. Há muitos aspectos que a ClipEscola consegue facilitar. Veja alguns:

 

  • Transmissões das aulas – A plataforma possui recursos para transmissões ao vivo. Esses recursos fazem parte do Ambiente Virtual de Aprendizagem da solução, então toda a parte pedagógica fica centralizada dentro de um mesmo local, inclusive as aulas, que podem ser realizadas de forma mais profissional e sem ferramentas genéricas.

 

  • Organização de disciplinas – Todas as disciplinas escolares podem ser organizadas dentro de categorias na plataforma. Podem também ser disponibilizadas aos alunos de acordo com a grade de cada curso ou turma.  

 

  • Atividades e prazos – A solução também permite que os professores possam criar atividades para os alunos e definir prazos para a entrega. É possível visualizar o status dessas entregas e uma relação com os “atrasadinhos”, possibilitando assim bem mais controle.

 

  • Comunicação com os pais – Na ClipEscola, a comunicação com os pais ocorre por meio de recados digitais. Esses recados têm a possibilidade de restrição de horários para respostas, permitindo que a escola configure para que os professore só precisem dar retorno aos pais dentro do horário de trabalho deles. Assim, a comunicação fica mais organizada, e a rotina dos educadores também.

 

Leia mais
– Legados da pandemia para escolas: heranças benéficas que emergem do caos
– 5 jogos online para a confraternização de professores durante a quarentena

 

Professores, fiquem de olho nas nossas redes sociais. O dia de vocês está chegando e temos muitas homenagens programadas!

 

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AUTOR:

Graziela Balardim

A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.