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SAMR

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15 de abril - 2022

SAMR: o que é e como usar o modelo para aplicar novas tecnologias na escola

Tempo estimado de leitura: 9 minutos (1823 palavras, 10617 caracteres)

Se você é aquele gestor antenado nas tendências do segmento educacional, já deve ter ouvido falar em SAMR, certo? Se nunca ouviu, também não tem problema, pois hoje nós vamos destrinchar esse conceito para você. Embarque na leitura e descubra o que se esconde por trás dessas quatro letrinhas.

 

O que é SAMR?

 

SAMR é uma sigla inglesa para Substitution, Augmentation, Modification, Redefinition and Model – ou, em bom português – Substituição, Aumento, Modificação e Redefinição. Trata-se de um modelo criado pelo Dr. Ruben Puentedura que permite diagnosticar o nível de integração da tecnologia com o aprendizado em sala de aula e como ele pode ser intensificado.

 

Qual é o objetivo do SAMR?

 

O objetivo do SAMR é guiar as escolas para a utilização da tecnologia no ensino em todo o seu potencial. Dessa forma, os estudantes podem obter níveis de conhecimento mais profundos do que alcançariam com um uso superficial dos recursos digitais. Conseguem também estar melhor preparados para um mundo no qual a tecnologia não está apenas presente, mas também em constante evolução e abrindo infinitas possibilidades.

 

Quais são as etapas e níveis do SAMR

 

O modelo SAMR possui quatro etapas, que são referenciadas na sigla que o nomeia. Essas etapas, por sua vez, se dividem em dois níveis: Aprimoramento e Transformação. Veja:

 

Aprimoramento

 

Nas etapas do nível aprimoramento, a tecnologia é usada para digitalizar ou trazer algumas melhorias funcionais a tarefas e processos. São elas:

 

  • Substituição

 

Nessa etapa, a tecnologia tem o papel apenas de substituir um recurso físico, mas a atividade em si não muda. O emprego de recursos digitais, nesse nível, não provoca diferenças significativas na aprendizagem.

 

Exemplo:

 

Se uma aula presencial é trocada por uma virtual síncrona (ao vivo), mas ela em si continua exatamente como seria da forma física, sem explorar possibilidades que só existem no digital, a tecnologia aqui só exerce papel de substituição. O conteúdo é trabalhado da mesma maneira e no mesmo ritmo de sempre, só o espaço de aula que é virtualizado.

 

  • Aumento

 

Na segunda etapa do modelo SAMR, a tecnologia entra para melhorar o funcionamento de uma atividade. Aqui as coisas não são feitas exatamente da mesma forma que seriam sem o digital. O emprego dos recursos permite explorações criativas e traz algum ganho para a aprendizagem.

 

Exemplo:

 

Citamos no tópico anterior o exemplo das aulas virtuais. Nesse mesmo contexto, também é possível ampliar a experiência do aluno. Em vez de só transmitir aulas ao vivo e fazer tudo igual ao que era feito no presencial, o professor também pode explorar as possibilidades do meio digital.

 

É possível, por exemplo, incorporar aulas assíncronas (gravadas) ao processo de ensino. Então, a aula será a mesma, mas o estudante conseguirá: voltar até o ponto que não ficou muito claro ou que ele não escutou direito; assistir a aula várias vezes; assisti-la no horário em que ele sabe que é mais produtivo; transcrevê-la, se tiver mais facilidade de aprender assim. Ou seja, o aluno pode aprender no seu próprio ritmo.

 

Você percebeu como, nesse exemplo, a tecnologia não entra apenas para replicar a experiência física? Ela acrescenta novas possibilidades provenientes do meio digital.

 

 

Transformação

 

Nas etapas do nível transformação, a tecnologia é utilizada para, de fato, trazer a transformação digital ao ensino. Ela não é mais um elemento que vem para auxiliar, ela é a própria base estrutural na qual a aprendizagem é construída. São elas:

 

  • Modificação

 

Na etapa modificação, o nível de integração do ensino com a tecnologia é muito superior.  Os recursos digitais não apenas agregam ao aprendizado, mas redesenham a sua forma.

 

Exemplo:

 

Seguindo a ideia de aulas online, agora os estudantes criam projetos de aula em documentos online compartilhados de forma colaborativa e em tempo real. Cada um está na sua casa, mas conseguem editar o mesmo arquivo e se comunicar durante a execução pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem da escola.

 

  • Redefinição

 

A última etapa do modelo SAMR representa o estágio máximo de integração do aprendizado com a tecnologia. Nele, as paredes da sala de aula são rompidas e a tecnologia leva o aprendizado para onde ele não chegaria sem ela. 

 

Exemplo: 

 

Os estudantes agora utilizam a tecnologia para criar um projeto colaborativo com alunos de outros lugares do mundo. Esse projeto tem como produto um vídeo com entrevistas realizadas de maneira virtual com especialistas de fora e é publicado na internet para uma audiência real.

 

Como o SAMR auxilia os professores

 

O modelo SAMR ajuda os professores no diagnóstico do nível de uso da tecnologia em suas próprias aulas. Eles começam a perceber se estão utilizando os recursos digitais que a escola disponibiliza ou que existem online no potencial máximo ou mínimo. Assim, podem refletir sobre outras possibilidades e sobre os benefícios que elas trazem.

 

É importante frisar que o fato de o professor já estar usando a tecnologia na última etapa do SAMR em suas aulas não significa que ele nunca possa utilizá-la em algum dos outros estágios. O educador que domina o conceito sabe caminhar pelas etapas e usar a que mais se encaixa em cada situação.

 

Quais são os ganhos reais do SAMR para a aprendizagem?

 

  • Engajamento dos alunos

 

Que criança ou adolescente não gosta de tecnologia? Os alunos que estão nas salas de aula nos dias atuais já mexem em recursos tecnológicos praticamente desde o berço. E tem mais… eles gostam!

 

É claro que existem tecnologias e tecnologias. Colocar qualquer recurso em sala de aula só para “marcar presença” não funciona para os nativos digitais, que são ávidos por inovação. É aí que o SAMR pode ajudar!

 

Quando os conteúdos são trabalhados não apenas com um uso raso da tecnologia, mas sim com um emprego mais aprimorado e estratégico, os estudantes começam a curtir o que estão fazendo. As aulas e tarefas não são mais vistas como uma “chatice”. Tudo ganha uma nova roupagem, a escola se transforma aos olhos do aluno.

 

  • Imersão mais profunda nos conteúdos

 

Há conteúdos que não podem ser “alcançados” de forma tão profunda sem a tecnologia, ou mesmo com um uso superficial e não-estratégico dela. Com o modelo SAMR, os professores conseguem bolar estratégias para que os objetivos de aprendizagem sejam atingidos da maneira mais certeira possível.

 

Para ensinar sobre o sistema solar, por exemplo, mostrar um vídeo aos alunos pode ser interessante, mas será que isso é o máximo que a tecnologia pode contribuir para a aquisição desse conhecimento? Será que uma aula com o uso de realidade virtual aumentada não poderia trazer uma experiência mais real, rica e marcante à classe?

 

O mundo digital é um leque de possibilidades. É normal que muitos professores usem só algumas cartas desse leque, e parem por aí. Então, diversas coisas incríveis, que poderiam contribuir significativamente para o aprendizado, ficam no escuro. O SAMR, quando é aplicado, pode jogar luz sobre elas, fazendo com que os professores saiam da zona de conforto e busquem mais.

 

  • Protagonismo

 

A BNCC e o Novo Ensino Médio frisam muito a importância do protagonismo do aluno. A SAMR pode ajudar as escolas com essa missão, sobretudo nas etapas do nível Transformação. Nelas, a aprendizagem se configura de uma nova forma, dando mais autonomia aos alunos, empoderando-os na construção do próprio aprendizado e, muitas vezes, dando visibilidade externa aos projetos deles.

 

  • Preparo para o mercado de trabalho

 

Todos nós sabemos que a tecnologia é a realidade do mercado de trabalho, e que ela está impregnada em processos do dia a dia de diversas áreas, ou seja, não tem escapatória. Sabemos também que a geração de alunos de hoje é de nativos digitais. Porém, não se engane. Crianças e adolescentes conhecem tudo que é tecnologia voltada para entretenimento, mas não pense que eles já dominam todos os recursos e usos que precisarão no mundo do trabalho.

 

Com a aplicação cada vez mais intensa e estratégica da tecnologia em sala de aula, possibilitada pelo modelo SAMR, novos conhecimentos tecnológicos serão adquiridos, até mesmo por quem já nasceu com um celular na mão. Os estudantes aprenderão usos úteis de recursos digitais que, muitas vezes, são inéditos para eles. Inclusive, muitos desses usos serão semelhantes aos que encontrarão no mercado de trabalho.

 

Como a ClipEscola pode ajudar

 

Falou em tecnologia, é com a gente mesmo! A ClipEscola desenvolve a Plataforma de Transformação Digital M3I, que contempla toda a instituição de ensino. Como estamos abordando especificamente a parte pedagógica, vou te falar sobre um recurso que temos que pode ser bem útil durante a aplicação do modelo SAMR: as nossas salas de aula virtuais.

 

As salas vêm com um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) completo, com diversas possibilidades a serem exploradas, como você pode conferir por aqui. Há inúmeras formas de incorporar um AVA nas aulas com finalidades estratégicas. Ele pode ser usado até em aulas presenciais, sabia? Há métodos de ensino híbrido presenciais e não presenciais, como estes aqui. O AVA seria perfeito para o “Rotação por Estações” e para o “Sala de Aula Invertida”, por exemplo.

 

Ahhh…  e se a sua escola tem ensino médio, você deve estar sabendo que a reforma permite que um percentual da carga horária seja por EaD, né? Aí, nossas salas virtuais completinhas caem como uma luva! Na utilização delas, o professor pode seguir o modelo SAMR e buscar não apenas virtualizar as aulas, mas também usar todo o potencial do meio digital. Fica a dica!

 

Leia mais
– ABP: conheça essa metodologia ativa e prepare seus alunos para o futuro
– Aprendizado colaborativo: o que é e como a tecnologia pode fomentá-lo

 

Percebeu como o SAMR ajuda o corpo docente da sua escola a evoluir no uso da tecnologia? É claro que os professores precisarão também de recursos digitais para explorar, então, comece por aqui!

 

CTA - Infográfico - Sala de Aula Virtual ClipEscola

AUTOR:

Graziela Balardim

A autora é Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como Conteudista de Marketing Digital.